Acho que vou escrever a resenha mais difícil de todas para mim agora. Não sei por onde começar e exatamento o que escrever. ¨Apátrida¨ mexeu muito comigo... E eu já esperava por isso. Guerras mexem muito comigo, sofrimento, mutilação, injustiças mexem muito comigo...
Vou começar, como sempre, pela parte física do livro. A capa, não tenho que dizer... Acho que é a capa de livro mais linda que vi este ano... O lindíssimo olho azul, a lágrima caindo e os trilhos dos trens que levavam os prisioneiros para os campos de concentração, já nos ambientam no romance. Na conracapa, a figura de um porto e os dizeres de Auschwitz: Arbeit macht frei, que significa ¨O trabalho liberta¨. Nas orelhas, uma breve sinopse sobre o livro e uma descrição de Ana Paula Bergamasco, a autora do romance. Além disto, a rosa... Que estaria presente em diversos momentos da trama. A Editora Todas as Falas fez um excelente trabalho!
Ana Paula Bergamasco... Guardem bem este nome... De fato, espero que seu talento seja reconhecido à altura. Agradeço por ter-me enviado o livro. Esta parceria era de grande interesse para mim pois analisar um livro falando de um assunto tão delicado e que sempre foi alvo de estudo e interesse para mim.
Bom, ¨Apátrida¨ é um romance praticamente biográfico de Irena. O primeiro capítulo se inicia com o nascimento da protagonista, a mais jovem de oito irmãos. Três meninas e cinco rapazes. A vida em uma comunidade tipicamente rural era relativamente tranquila... O bosque perto de sua casa era o palco de muitas brincadeiras entre os seus irmãos e Jacob, seu amigo de infância. Todos crescem e Irena percebe que havia um algo mais em sua bela amizade com Jacob. Este era judeu, diferentemente de Irena que era católica ortodoxa. Irena sonhava com seu romance com Jacob, mas faltou-lhe coragem para expor o que sentia. Jacob então casa-se com uma bela mulher, elegante, fina e culta. A partir daí os martírios de Irena começam.
Não estar com o seu amado é algo que ela passa a carregar... Apesar do seu casamento com Rurik e sua nova vida na Bielorrússia, algo sempre faltaria para Irena, apesar de Rurik ser um bom marido. Por um tempo tudo estava calmo apesar da distância da família. Mas vamos lembrar que não demoraria muito para estourar a guerra e Irena e o marido se encontravam em uma região um tanto quanto estratégica de influência dos soviéticos.
Uma sucessão de fatos leva Irena a voltar para sua casa na região rural da Polônia. Mas os momentos de paz são escassos. A situação política vai se deteriorando aos poucos e, em pouco tempo, Irena se vê em uma Europa caótica. Rapidamente os nazistas tomam a Polônia e a perseguição, pricipalmente aos judeus, se inicia. Irena agora carrega a responsabilidade de uma promessa feita a Jacob, que acabou sendo levado para um dos guetos em Varsóvia.
Irena acaba sendo levada para o inferno do holocausto. Um campo de concentração. O maior deles. Auschwitz. Lá Irena vê que apesar do inferno em que vive, mesmo com corpos quase mortos, é salva e salva muitas vidas também. De onde apenas existe sofrimento, surge o bem personificado sobre diversas formas.